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sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

«opar e epar», por M. E. C.

- há dias que W. andava para ref. esta Crónica, de 01 de Dezembro ; até já a afixou no Jornal de Parede do Qd.º 401...;
- Recorte:
«[...] Ensinei os oh, pás e eh, pás ao inglês, dizendo-lhe para opar e epar antes de fazer uma afirmação, mas logo percebi que tinha feito asneira, porque ele desatou a epar e a opar por tudo e por nada.
     “Oh, pá, este robalo está bom. Eh, pá, passas-me o galheteiro? Oh, pá, traz-me outra imperial, se fizer favor?” Nunca mais se calava.[...]



domingo, 9 de setembro de 2018

O Ovo... - Provérbios (o «insustentável poder lúdico» dos)

Bartoon, Luís Afonso, Público, 09-09-2018
(quem diz que não há Humor nem IMAG. lá por aquelas Bandas:..)

- P. N. S.:
- «não há três sem quatro» (P. N. S.);
Jerónimo***:
- «(é preciso não) contar (apressadamente) com o Ovo no dito cujo da Galinha»


***Jerónimo de Sousa, o secretário-geral do PCP, é um caso excepcional no uso lúdico que faz da língua portuguesa. Segue-se, embora a grande distância, o Presidente da República (no tempo em que era comentador saía-lhe recorrentemente a expressão "não lembra ao careca". [...]                    Ana Sá Lopes, p. 36 do mesmo suporte

há naturalmente que (re)convocar um grande texto sobre o motivo:


[...] Afinal, numa das vezes em que parou para gozar sua fuga, o rapaz alcançou-a. Entre gritos e penas, ela foi presa. Em seguida carregada em triunfo por uma asa através das telhas e pousada no chão da cozinha com certa violência. Ainda tonta, sacudiu-se um pouco, em cacarejos roucos e indecisos.
Foi então que aconteceu. De pura afobação a galinha pôs um ovo. Surpreendida, exausta. Talvez fosse prematuro. Mas logo depois, nascida que fora para a maternidade, pare­cia uma velha mãe habituada. Sentou-se sobre o ovo e assim ficou, respirando, abotoando e desabotoando os olhos. Seu coração, tão pequeno num prato, solevava e abaixava as penas, enchendo de tepidez aquilo que nunca passaria de um ovo. Só a menina estava perto e assistiu a tudo estarrecida. Mal porém conseguiu desvencilhar-se do acontecimento, despregou-se do chão e saiu aos gritos:
— Mamãe, mamãe, não mate mais a galinha, ela pôs um ovo! Ela quer o nosso bem!
Todos correram de novo à cozinha e rodearam mudos a jovem parturiente. Esquentando seu filho, esta não era nem suave nem arisca, nem alegre, nem triste, não era nada, era uma galinha. [...]
Clarice Lispector,  Laços de Família [1.ª ed:1960]


Público, 13 - 09 - 2018


segunda-feira, 3 de setembro de 2018

«Sabes muito...» - MEC


- Parágrafos iniciais:
Na expressão "sabes muito..." são as reticências que mais falam. Porque em português não há elogios de borla. É verdade que quando me dizes "sabes muito..." estás a confessar que ficaste surpreendido com o muito que eu sabia e que isso produziu em ti um novo respeito pelos meus conhecimentos.
Mas também estás a dizer que tu ainda sabes mais do que eu e que é por isso que a minha tentativa de te ludibriar falhará sempre. "Sabes muito...mas a mim não me enganas!"
[...]

quarta-feira, 16 de maio de 2018

“Perdeu, literalmente, a cabeça”





- muito usada expressão, com a qual diz Embirrar o autor do «Desdicionário» ou «Criativa lista de palavras» sem «passado etimológico», como refere o artigo do «P3» 


- a ver?

"Jardinheiro": aquele que está sempre a deixar cair moedas ao chão; ilustração de José Cardoso

quarta-feira, 14 de junho de 2017

«...ou lá o que é», por MEC

Crónica de domingo, 11 - COMPLETA,  AQUI
RECORTE
A língua portuguesa, empertigada e trabalhadora, só raramente satisfaz o estudante da preguiça. Um bife é rijo que nem um cabaz de cornos, sendo o cabaz oferecido de graça, quando bastariam os cornos para dar a ideia.
[…]
Daí que a minha expressão favorita seja aquela que se recusa a esforçar-se, que descaradamente desiste de ir a qualquer dicionário mental só para entreter o ouvinte. Consiste em dizer que o Azevedo gosta mais de praia, tinto, cães, Paris, dormir, espeleologia, lerpa e macarronete do que..."sei lá o quê".
X gostar mais de Y mais do que sei lá o quê é de uma indolência sublime. Está ao baixíssimo nível do "não há palavras para exprimir" ou, ainda mais humildemente, "não tenho palavras que possam descrever". Às vezes remata-se com uma utilíssima ênfase: "enfim, é indescritível!"
 "Pois, imagino...", responde o ouvinte, devidamente adormecido. E subentende-se que deve gostar tanto que ainda estão por inventar as analogias necessárias. Pois.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

«Bicho do Mato», por MEC, e a «Pausa»

- há dias, no Paraíso 1617, perguntaram a J. se «participava no Lanche de N.»  - lá descreveu, com absurdas Just., a sua Face «BdM»...
- [àquilo que faz, J. chama cada vez menos «Profis.»; ainda é o que o impede de se tornar «BdM» total; mas,  quando vem a «Pausa» (3 ou 4 por Ciclo), «volta a BdM» e: «Silêncio, Maravilhoso Silêncio...»]
- numa dessas horas, chegou a Crónica de M.E.C., de domingo, 18....:

RECORTE:
[...]
     Os bichos do mato nunca fazem mal uns aos outros. Nunca se convidam para almoçar, nunca se desafiam para fazer nada, nunca usam verbos no futuro e nunca usam expressões ameaçadoras como “um dia destes vou lá a tua casa fazer-te uma visita”.
    É fácil identificá-los porque, quando os bichos do mato falam uns com os outros, pôem-se sempre de pé. Nunca se sentam juntos. É proibido.
    Faz parte do pacto original que assinaram quando se tornaram bichos do mato. Eles sabem muito bem que tudo o que há para dizer, de importante e carinhoso, pode ser dito em dois ou três minutos, enquanto se está em pé.
[...]

sábado, 1 de outubro de 2016

«American Girl» OU «a metáfora (?) do Comer»

American Girl in Italy, 1951 Copyright 1952, 1980 Ruth Orkin
- já era tempo de tais frases («comia-te toda») «irem a Tribunal», de fa(c)to - no DN, de hoje (foto na 1.ª página...)

- quanto à fotografia de 1951...  [... J. declara que D. nasceu em 1955... e que muito foi o «linguajar» a que «assistiu»...]

terça-feira, 9 de agosto de 2016

«Isso sabe-se» = «Já se sabe» ( M. E. C.)

«Isso sabe-se» 
Era a expressão (Bordão de Fala?)  mais usada pela Marechal H. - 
- Equivalente, em crónica de M. E.C.

REcorte:
O “já se sabe” é o “estava-se mesmo a ver” do tempo. É como o “eu não te disse?” de quem nunca nos disse tal coisa ou o “Ah pois...” que nos acolhe quando exprimimos uma surpresa. Se as estradas estivessem cheias de sardinhas caídas do céu, estes marmanjos não pestanejariam: “Ah pois...já se sabe...(...(
Ainda não vieram os relâmpagos e as trovoadas de Agosto mas os “já se sabes” já estão todos a acumular-se por dentro dos lábios inferiores, prontos para serem disparados ao mínimo comentário sobre um imprevisto.(...(

sábado, 16 de julho de 2016

«Contínua» («ser ou não ser...»)

- «Contínua» é um termo que continua a ...  - o porquê do «contínuo» Uso de um VOC. do «Tempo da Outra Senhora», não o sabe V....

- dá título a uma «PAA» [«Ser Contínua»]: ver AQUI   [já não; passou a «Privado»...viva a «santa»...]

terça-feira, 31 de março de 2015

«REspeita a gramática... + o gajo era genial»

... e ganha barriga»

(de O Mandarim, dito por Matilde Campilho e rematado com:

«O gajo era genial»)

AQUI

segunda-feira, 21 de julho de 2014

«Nem por isso», por MEC

[«Pente Fino» - «andar à Roda de Uma Curta...»]

CRónica de hoje de MEC...

Recortes:
Ainda acalento a esperança de vir a perceber a língua portuguesa mas, com cada ano que passa, a esperança queixa-se que está fria.
É coisa que me preocupe? Nem por isso. "Nem por isso": toda a gente sabe o que quer dizer mas qual é o "isso" por que ocorre o "nem"?
[...]
Pergunta-se a alguém se gosta de viver em Portugal e ele responde "nem por isso". Não é bem "não". É "não especialmente". "Especialmente" é tão irritante como "pessoalmente
[...]
Todas estas manobras, com o "nem por isso" à frente, são um assalto brutal sobre a limpeza e a verdade do simples "não". O "sim" e o "não" têm de ser protegidos. São palavras claras, curtas e lindas.
O "nem por isso" é a alforreca das respostas negativas. O que mais enfurece nela é a falta não-absoluta de significância.

Miguel Esteves Cardoso, Público, 20 - 07 - 2014, p. 45 ou AQUI

sábado, 22 de fevereiro de 2014

«Há mais marés do que marinheiros»

[«Pente Fino» = viagens pelo Campo de uma curta expressão]

Quando, com a elevada frequência que o Contexto exige, S. se «ouve» a dizer o «dito» a «todo e qualquer um» - e também como forma de «se firmar», na resistência possível -  

-  «ouve-se também a ouvir» o PAI VELHO - que o «aplicava»  «a torto e a direito»

- artigo sobre o mesmo, no «CBDV», de 11 de Fevereiro, da consultora Bárbara Nadais Gama (n.º 32400):              AQUI

sábado, 1 de fevereiro de 2014

«O jeito do jeito» - por MEC

[«Pente Fino» = viagens pelo Campo semântico de UMA palavra]

Recorte inicial da crónica de hoje de MEC, na pág. 47, do Público, de 31 - 01 - 2014 ou:                         AQUI

"Gosto de palavras que só nós portugueses usamos e compreendemos, intraduzíveis. Uma das melhores é jeito, no sentido de dar um jeito, no campo específico duma distorsão corporal.
"Jeito" não quer dizer nada para quem não seja português. Mas nós, portugueses, sabemos exactamente o que é dar um jeito. Não é uma entorse. Não é um traumatismo. É um jeito. É ter sujeitado o nosso corpo a uma violência para a qual não foi concebido para suportar.
É um jeito que deixa uma dor. Ontem, durante o almoço, começou a doer-me o pé e tanto a Maria João como eu diagnosticámos logo que eu tinha dado um jeito. [...]

Miguel Esteves Cardoso

(sublinhados acrecentados)