domingo, 22 de março de 2026

«Um livro puxa pela Internet» (MEC)

 Crónica de hoje de M. E. C., «Entre o glacis e os gabiões».. OU Literatura versus Cinema versus «Internet» versus «podcast»

RECORTE(s):

[...] Por isso é que ler um livro é melhor: porque não se está a fazer mais nada. Não é o livro que é melhor do que o podcast: é o cérebro dedicado inteiramente ao que entra pelos dois olhos, com os ouvidos reduzidos à sua lateralidade. [...]

Quando vi o filme, vi o glacis e os gabiões, mas, como os via, não precisei de saber os nomes. E como não pensei nisso, também não pensei na maneira como tinham sido concebidos.
Podia parar o filme e ir ver, mas parar o filme para quê? O filme não desperta curiosidade. Não me faz sentir-me ignorante. Não me desafia a completá-lo.
O livro torna-me activo. Puxa por mim. Emprega-me todo. Faz-me trabalhar pela minha cumplicidade. É quase como me tornar membro de uma organização secreta.
Um livro puxa pela Internet. É mais moderno.

É mais pedinchão.

quarta-feira, 11 de março de 2026

A. Lobo Antunes . Lista

 - M. de E. terá sido (com O d. dos P., de L. J.) «responsável» pela mudança de Rumo de D....; muito devagar lido, na Pausa da Tarde ( D. ainda na C. da C.), no Lago dos Patos do Parque... ou no Jardim das Amoreiras...; na FNC, em [...] apresentou-lho; comentou o «bom estado do exemplar», disse que «duvidava se tinha algum», para a assistente, que se prontificou a encontrar-lho; perguntou ainda a D. «se sabia quantos livros tinha»;

- ainda não sabe; mas não são muitos... (muitas doações nos últimos tempos, pois não quer deixar «sobrecarregadas» as Ladies...);


- COLÓQUIO, GULB., 40 anos, 2019;

- LEITURAS: de «Memória de Elefante»;       «Crónica da pomba branca»;  

- «Artigo-Dossiê» na CNN

Entrevista, 2018;    Entrevista, 2006 (a A. M. R.);   Entrevista, 2008 (a M. C.);  

                 Entrevista, 2014 (?) ( a M. C.);    «Grande Entrevista», 2017 (8-11);

Crónica de M. E. C.;    «Carta ao meu irmão acidental» (Paulo Faria);     

- DEPO:  Lídia Jorge    Ana M. de Carvalho;   Ana Paula Arnaut;   F. José Viegas ;

R. G. de Carvalho;     J. C. e Silva;   António Guerreiro

Dez Livros (Público);    Dossiê - Público;

«Camões, para quê?»; Luis Maffei

 - ensaio,            na Revista «Convergência Lusíada»   (n.º 36, Especial, «Quinhentos Camões, o poeta reverberado» ;

EXCERTO (relativo ao soneto de «Incipit» Correm turvas as águas deste rio):


Camões, nos sonetos, não raro estabelece um acordo, ou desacor-do, entre antinomias, não se cansando de abraçar adversativas. Nes-se caso, não, pois o poema é um fluxo mais ou menos linear, como se começasse turvo, como o “rio” do primeiro verso, e turvo termi-nasse, indo da descrição de um locus à de um éthos. O que chamei de linearidade é, na verdade, uma acumulação de argumentos que deságua no último terceto, quando, ao contrário de uma solução, a conclusão é mais que nunca ligada à aparência – desde o primeiro verso, o poema está debruçado sobre o mundo, procurando entendê--lo, quer dizer, procurando algum modo de dizê-lo, mas indicando que o entendimento não se oferece pacificamente, pois a condição da existência é indigente

Camões, nos sonetos, não raro estabelece um acordo, ou desacor-do, entre antinomias, não se cansando de abraçar adversativas. Nes-se caso, não, pois o poema é um fluxo mais ou menos linear, como se começasse turvo, como o “rio” do primeiro verso, e turvo termi-nasse, indo da descrição de um locus à de um éthos. O que chamei de linearidade é, na verdade, uma acumulação de argumentos que deságua no último terceto, quando, ao contrário de uma solução, a conclusão é mais que nunca ligada à aparência – desde o primeiro verso, o poema está debruçado sobre o mundo, procurando entendê--lo, quer dizer, procurando algum modo de dizê-lo, mas indicando que o entendimento não se oferece pacificamente, pois a condição da existência é indigente