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quarta-feira, 19 de março de 2025

J. B. : Mapa Narrativo

Da EXPO-página da Livraria Buchholz

«Um dos maiores desafios ao escrever o romance Ecologia, que propõe uma sociedade em que começamos a pagar pelas palavras, foi alinhar e articular os diferentes planos narrativos que compõem a história. Este mundo em que a linguagem é mercantilizada é-nos explicado através da vida de diferentes personagens, algumas sem ligação entre si. Esta complexidade exigiu que construísse muitos mapas, esquemas, listas, etc., para ir avançando sem me perder (demasiado). O alinhamento de post-its na imagem é um exemplo disso: nele, apercebemo-nos da estrutura do romance (Primeira, Segunda e Terceira Vagas do Plano de Revalorização da Linguagem) mas também do código de cores que usei para distinguir entre personagens, e outros elementos, como os códigos QR. A fotografia foi tirada numa fase não muito avançada da escrita, o que se percebe facilmente pelo pouco desenvolvimento das partes terceira e final.»

JOANA BÉRTHOLO

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

«O português de granito, de alabastro e de calcário» (galopim de carvalho, António)

 - REcorte da ENTREV. de hoje, pelas 90 PRIMAV.as

[...] Comecei tarde e a escrever mal. Lembro-me do professor Orlando Ribeiro corrigir os meus textos, eu já como assistente, e era uma vergonha. Não fui bom aluno a Português, mas aprendi a escrever português. O português a que chamo o “português do granito”, que era aquele puro do professor Carlos Teixeira, que era sujeito, predicado, complemento directo. Sem arabescos, sem querer ter estilo, puro como o granito. O português de Carlos Teixeira, na simplicidade, firmeza, limpidez e rusticidade da prosa, representa nesta associação o granito. Orlando Ribeiro tinha uma escrita mais poética.

O português de Orlando Ribeiro seria que rocha?
Diria que, se o professor Carlos Teixeira era a prosa do granito, a do professor Orlando Ribeiro, a um tempo erudito, romântico, por vezes algo barroco e sempre poético, representa a prosa do alabastro, uma rocha muito branda, essencialmente formada por gesso, que permite trabalho de grande requinte.

E a sua escrita?
A minha? Não sei. Agora está a pôr-me um problema de geologia! Estou entre os dois. Eu, que bebi a influência de um e outro, ficar-me-ei pelo calcário, pela sua naturalidade e versatilidade.  [...]


sábado, 29 de fevereiro de 2020

«escrever bem» (A mitologia do) - V. Pulido V., por A. Guerreiro

- reflexão com destinatários vários, na crónica de António Guerreiro, no Ípsilon de ontem, na página 30; 
RECORTE:
[...]Escrever bem é, em suma, uma qualidade inidentificável e vazia. Não significa nada e não pode responder a exigências normativas porque, nesse caso, corresponderia a uma fórmula estereotipada. Escrever bem é como o unicórnio e outros animais imaginários. Também não é o contrário de escrever mal. [...]