segunda-feira, 14 de setembro de 2026

«Para Rui, O Belo», Lídia Jorge

 - [OUTRO, deste livro: AQUI]

PARA RUI, O BELO

No meu caso, basta que as ondas do mar 
avancem e olhem para o lugar da areia
onde me encontro, para que Deus levante
a sua cabeça.

Nada posso fazer - Não é um pássaro
que eu possa enxotar com os braços
ou gritos de alarido, de nada vale cometer
essa inutilidade.

Ele fica no meio das águas e eu não
sei porquê - Segue-me com o olhar
como se eu fosse uma presa difícil
no meio da paisagem que lhe pertence
por inteiro.

O carro conduzido a toda a velocidade
atravessa a campina, e quando dou por
mim, persiste no pôr do Sol vermelho
e indica-me um caminho de que não
conheço o leito nem vislumbro o fim.
No meio do meu percurso, estou parada.
Nada posso fazer a não ser medir
a distância entre mirador e mirada.

Mas assino tréguas e faço as pazes
quando a praia se enche da presença
daqueles de quem sou irmã, e juntos tomamos
banho, saídos do mesmo barro - Assino tréguas
em homenagem ao primeiro dia da criatura
de lama que eles são e em mim trago.

Protegidos por nós mesmos, somos um bando coeso
no intervalo da sua escolta, bastamo-nos, mas eu
nada posso fazer.

Bem podemos cantar o nosso coro de emancipação
agitar bandeiras de independência.

Ao cair da noite, Ele levantará de novo
a sua cabeça.

                  Lídia Jorge, O livro das tréguas, 2019, 2022, pp. 20-21

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Ser Mestre

 - «Cartoon» de hoje do «Bartoon»:


- na «AA», 3 horários de FILO, para «contratação de escola» - ao que isto chegou...