sábado, 20 de junho de 2026

«Anti-Cesário», no «639»

 - «mais do mesmo» no «639» - e há décadas, não?; Carlos Ceia e A. Carlos Cortez «voltam a pôr os pontos nos is», no artigo de dia 18, no «Público» - O exame de Português do 12.º ano: a aferição da mediocridade

[há décadas, numa «revisão» Program.a, tentaram excluir a «pequena-grande» Obra de Cesário... ; teria sido melhor?]

RECORTE(s):

[...] Cesário Verde, que, coitado, é reduzido a um exercício de análise emocional ridículo e sem validade científica. O arco emocional de um poema é reduzido a uma função matemática, algo que conhecemos de algumas tentativas de reduzir a literatura a um campo estatisticamente modelável, o que hoje podemos fazer com alguns modelos de linguagem generativa, mas isso é outro campeonato e muito distante dos objectivos de avaliação de competências leitoras. Um poema não é um inquérito emocional. Não se lê Cesário Verde como quem pergunta: “Como se sentia ele neste momento?” Lê-se perguntando: como é que a linguagem produz uma determinada percepção do real? Que relações estabelece entre espaço, classe social, movimento, cor, corpo, trabalho, doença, comércio, império, miséria e modernidade urbana? [...]

terça-feira, 12 de maio de 2026

«Anti-Cesário», Elisa Costa Pinto

 ANTI - CESÁRIO

                    Nas nossa ruas, ao anoitecer,
                    Há tal soturnidade, há tal melancolia,  
                   Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
                   Despertam-me um desejo absurdo de sofrer 

 

Não te perdoo     Cesário     o roubo das palavras
            estas 
que agora me faltam para dizer o mal-estar que nos 
            sufoca
e mata nos hospitais e ameaça nas ruas onde

           fantasmas
sem rosto caminhamos.

Condenaste-nos a engolir as tuas palavras sempre
que descemos     os emparedados     o dorso da Babel
            doente
e sem deambulação nem desassossego escorregamos
pelo ombro esquerdo da cidade até ao rio
para beber sem tecto fundo nem ventilador
o oxigénio   o  ar.

Mas fica sabendo     Cesário    sei de um lugar
não boqueirões     não becos     não embocaduras
            não lustroso o rio
onde o silêncio incandescente nasce de um astro
            com olheiras
despertado ao anoitecer no Tejo
onde lavamos os olhos.          Lavamos os olhos.

Onde lavaremos azul o coração?

Elisa Costa Pinto, Contra corvos, 2026, p. 26

domingo, 22 de março de 2026

«Um livro puxa pela Internet» (MEC)

 Crónica de hoje de M. E. C., «Entre o glacis e os gabiões».. OU Literatura versus Cinema versus «Internet» versus «podcast»

RECORTE(s):

[...] Por isso é que ler um livro é melhor: porque não se está a fazer mais nada. Não é o livro que é melhor do que o podcast: é o cérebro dedicado inteiramente ao que entra pelos dois olhos, com os ouvidos reduzidos à sua lateralidade. [...]

Quando vi o filme, vi o glacis e os gabiões, mas, como os via, não precisei de saber os nomes. E como não pensei nisso, também não pensei na maneira como tinham sido concebidos.
Podia parar o filme e ir ver, mas parar o filme para quê? O filme não desperta curiosidade. Não me faz sentir-me ignorante. Não me desafia a completá-lo.
O livro torna-me activo. Puxa por mim. Emprega-me todo. Faz-me trabalhar pela minha cumplicidade. É quase como me tornar membro de uma organização secreta.
Um livro puxa pela Internet. É mais moderno.

É mais pedinchão.

quarta-feira, 11 de março de 2026

A. Lobo Antunes . Lista

 - M. de E. terá sido (com O d. dos P., de L. J.) «responsável» pela mudança de Rumo de D....; muito devagar lido, na Pausa da Tarde ( D. ainda na C. da C.), no Lago dos Patos do Parque... ou no Jardim das Amoreiras...; na FNC, em [...] apresentou-lho; comentou o «bom estado do exemplar», disse que «duvidava se tinha algum», para a assistente, que se prontificou a encontrar-lho; perguntou ainda a D. «se sabia quantos livros tinha»;

- ainda não sabe; mas não são muitos... (muitas doações nos últimos tempos, pois não quer deixar «sobrecarregadas» as Ladies...);


- COLÓQUIO, GULB., 40 anos, 2019;

- LEITURAS: de «Memória de Elefante»;       «Crónica da pomba branca»;  

- «Artigo-Dossiê» na CNN

Entrevista, 2018;    Entrevista, 2006 (a A. M. R.);   Entrevista, 2008 (a M. C.);  

                 Entrevista, 2014 (?) ( a M. C.);    «Grande Entrevista», 2017 (8-11);

Crónica de M. E. C.;    «Carta ao meu irmão acidental» (Paulo Faria);     

- DEPO:  Lídia Jorge    Ana M. de Carvalho;   Ana Paula Arnaut;   F. José Viegas ;

R. G. de Carvalho;     J. C. e Silva;   António Guerreiro

Dez Livros (Público);    Dossiê - Público;

- em «O poema ensina a cair» - Sugestões de Leitura, a 24 de Abril, Pedro Mexia, sobre «Fado Alexandrino» [romance sobre o «25 de Abril»], vídeo; [mais extenso, no «Podcast»....]

«Camões, para quê?»; Luis Maffei

 - ensaio,            na Revista «Convergência Lusíada»   (n.º 36, Especial, «Quinhentos Camões, o poeta reverberado» ;

EXCERTO (relativo ao soneto de «Incipit» Correm turvas as águas deste rio):


Camões, nos sonetos, não raro estabelece um acordo, ou desacor-do, entre antinomias, não se cansando de abraçar adversativas. Nes-se caso, não, pois o poema é um fluxo mais ou menos linear, como se começasse turvo, como o “rio” do primeiro verso, e turvo termi-nasse, indo da descrição de um locus à de um éthos. O que chamei de linearidade é, na verdade, uma acumulação de argumentos que deságua no último terceto, quando, ao contrário de uma solução, a conclusão é mais que nunca ligada à aparência – desde o primeiro verso, o poema está debruçado sobre o mundo, procurando entendê--lo, quer dizer, procurando algum modo de dizê-lo, mas indicando que o entendimento não se oferece pacificamente, pois a condição da existência é indigente

Camões, nos sonetos, não raro estabelece um acordo, ou desacor-do, entre antinomias, não se cansando de abraçar adversativas. Nes-se caso, não, pois o poema é um fluxo mais ou menos linear, como se começasse turvo, como o “rio” do primeiro verso, e turvo termi-nasse, indo da descrição de um locus à de um éthos. O que chamei de linearidade é, na verdade, uma acumulação de argumentos que deságua no último terceto, quando, ao contrário de uma solução, a conclusão é mais que nunca ligada à aparência – desde o primeiro verso, o poema está debruçado sobre o mundo, procurando entendê--lo, quer dizer, procurando algum modo de dizê-lo, mas indicando que o entendimento não se oferece pacificamente, pois a condição da existência é indigente

sábado, 6 de dezembro de 2025

Camões: as plantas na Obra

 - entrevista do «Público» ao botânico Jorge Paiva (92), pelo lançamento, agora em livro (antes, «digital»), do estudo «As plantas na obra poética de Camões»:

RECORTE(S):

[...]  Os Lusíadas são escritos praticamente na totalidade na Ásia e as plantas que Camões refere são as que conhece com Garcia de Orta: são as plantas medicinais, que são quase todas aromáticas. A noz-moscada é aromática, o cravinho é aromático. E as plantas da lírica de Camões são as do afecto, as do amor. São aquilo que costumo dizer aos jovens para começarem a gostar de Camões: “São as plantas do love.” Rosas, violetas, cravos, heras e por aí fora. Não são plantas medicinais nem asiáticas.
     N’Os Lusíadas encontramos plantas asiáticas e medicinais, excepto nas cenas amorosas. Por exemplo, no canto III, quando Camões refere o episódio de Inês de Castro, as plantas são as do love e não as asiáticas. Quando vejo “cravo” n’Os Lusíadas, é o cravinho. Quando vejo “cravo” na lírica, é o cravo flor.[...]

sábado, 18 de outubro de 2025

Al Mada Nada (Ricardo Pais)

 - foi um repetido esforço (sobretudo, entre 2012 e o fim,,,), inserir «algumas coisas» de J. de A. Negreiros, por entre o «Universo de P.» (todo o 1.º PER, metade do segundo...), mas, enfim, lá se conseguia...; ler excertos de «Saltimbancos» deixava os Qd.s em Estado de...; por cortesia do «Público», passava-se 3 excertos deste Espectáculo...; em boa Hora, ora colocado, na íntegra, na RTP PALCO

sábado, 12 de abril de 2025

«o alfabeto é o misturador mais anárquico que existe. Aleluia.» (M. E. C. e as «jornadas VOCA»)

 - [...] frases finais de «Dicionários ao léu», crónica de hoje de MEC;

RECORTES:
Sinto-me culpado por comprar velhos dicionários ao preço da chuva, mas dou-lhes casa e emprego e não sou capaz de abri-los sem me sentir um pilha-galinhas, sempre consciente do trabalhão que deram a fazer.
[...]
Tenho uma ideia. Já que vão proibir os telemóveis para os mais pequenos, porque é que não dão um bom dicionário a cada um?
Cada criança precisaria de um dicionário — que teria de aprender a consultar eximiamente — para participar num grande concurso nacional, que seriam as jornadas VOCA.
VOCA significa "Vocabulário, Ortografia, Caligrafia e Articulação". [...]

quarta-feira, 19 de março de 2025

J. B. : Mapa Narrativo

Da EXPO-página da Livraria Buchholz

«Um dos maiores desafios ao escrever o romance Ecologia, que propõe uma sociedade em que começamos a pagar pelas palavras, foi alinhar e articular os diferentes planos narrativos que compõem a história. Este mundo em que a linguagem é mercantilizada é-nos explicado através da vida de diferentes personagens, algumas sem ligação entre si. Esta complexidade exigiu que construísse muitos mapas, esquemas, listas, etc., para ir avançando sem me perder (demasiado). O alinhamento de post-its na imagem é um exemplo disso: nele, apercebemo-nos da estrutura do romance (Primeira, Segunda e Terceira Vagas do Plano de Revalorização da Linguagem) mas também do código de cores que usei para distinguir entre personagens, e outros elementos, como os códigos QR. A fotografia foi tirada numa fase não muito avançada da escrita, o que se percebe facilmente pelo pouco desenvolvimento das partes terceira e final.»

JOANA BÉRTHOLO

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

«Finisterra», Carlos de Oliveira + 10 poemas lidos por R. M. Martelo

 - não sabe R. há quantos anos Finisterra** aguarda para ser «relido»...; [desde a Década de 80?...]; Rosa M. Martelo, Grande Leitora, fala das «Múltiplas Camadas. e Sobreposições..» do mesmo, no «Poema Ensina a...», em Set. [...];

- no «Podcast», aprox.te a partir do minuto 39.º do I, comenta (e discute com R. M.): [...]; Camões («O Céu, a Terra, o Vento...») ; Cesário («Manhãs Brumosas»), ; Pessanha (...); Campos («Ode Marítima»); e, no II: Luiza Neto Jorge («A magnólia»); Fiama Hasse Pais Brandão ("Quando eu vir vaguear por dentro da casa"); [...]; Mário Cesariny («O navio de espelhos»);Herberto Helder («Sei ás vezes que o corpo é uma severa»); - ** a partir do minuto 44..., de novo fala de Finisterra: «Casa na Duna contada de outro modo»...

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

«Cardume», Inês Lourenço

 - nos poemas da 2.ª parte («Os caules submersos», pp. 27 - 52) do último livro de I. L. são evocados vários poetas - listados na p. 76

CARDUME

As tuas varinas descalças
todas de negro nas descargas de carvão
já não são noivas que ficaram por casar, mas sim
as mães que embalam futuros náufragos
nas canastras, já não os heróis das Descobertas
mas sim os destinados às tormentas
da faina piscatória. Hoje
abjuramos dos usos carboníferos, que o Tempo
tudo esmorece. E nunca vamos 
abjurar do mar que foi há séculos
a nossa Terra Prometida, na fuga possível
à condição hispânica. Mar que ameaça 
no futuro inundar as cidades litorais
se continuar o degelo árctico. Anoitecemos
contigo, Cesário, na nostalgia
desta fronteira incerta de Ocidente.
  
                         Inês Lourenço, Ainda o lugar incerto da procura, 2024, p. 37

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

«Virar o Ananás» (M. E. C.)

 - RECORTE(s) da (assertiva?) Crónica de hoje:

[...] agora é moda ir para o engate para os supermercados espanhóis, sinalizando a disponibilidade através de um ananás virado ao contrário, transportado no carrinho como se fosse um pequeno príncipe tropical a fazer o pino. [...]
No mesmo dia, ouvi dizer de alguém que começa a fartar-se do marido, que está à beira de virar o ananás.
[...]
"Virar o ananás" entra assim na língua portuguesa: significa estar farto, mas também significa fazer alguma coisa para alterar a situação.
Para virar o ananás, é preciso uma pessoa levantar-se e decidir que vai reembarcar no carrossel, abrilhantando o aspecto e renovando o vocabulário. [...]
Virar o ananás é regressar à fisicalidade, ao momento, à exposição, ao risco de se ser envergonhado. É voltar aos carrinhos de choque.

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Mia Couto: «recordação visual e recordação da Voz»

 - Entrevista ao «Ípsilon», sobre o anterior livro, premiado, e o próximo, a sair em Outubro [EXCERTO] - RECORTE:

[...] Enquanto escrevia O Mapeador de Ausências, fui-me apercebendo que era um livro sobre o meu pai e não sobre a cidade onde nasci que era a intenção inicial. Queria fazer uma homenagem à minha terra natal, onde continuo a nascer até agora. E, depois, apercebi-me que esse lugar era o meu pai. É curioso, porque nos registos que tive de consultar, quando escutei a voz dele em gravações antigas, percebi que a presença da voz era muito mais forte do que a presença de uma imagem. A recordação visual é uma coisa, mas a recordação da voz tem um impacto que me fez perceber que, no meu processo de criação, tinha de encontrar a voz dos personagens. [...]
[sublinhados acrescentados]

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Eugénio, 2024 + «A poesia não vai»

 - resolvida a «longa novela» do(s) Espólio(s), pode a Obra seguir o Caminho destinado, mais e mais Leitores...


Do «Ípsilon»; Expo na F. do L. do P. + um dos poemas propostos nos Qd.os:

A POESIA NÃO VAI


A poesia não vai à missa,

não obedece ao sino da paróquia,

prefere atiçar os seus cães

às pernas de deus e dos cobradores

de impostos.

Língua de fogo do não,

caminho estreito

e surdo da abdicação, a poesia

é uma espécie de animal

no escuro recusando a mão

que o chama.

Animal solitário, às vezes

irónico, às vezes amável,

quase sempre paciente e sem piedade.

A poesia adora

andar descalça nas areias do verão.


 Eugénio de Andrade, O sal da língua, 1995

domingo, 4 de agosto de 2024

«um gajo velho, gordo, que escreve sobre comida» + O Caderno (M. E. C.)

a) D. nunca escreveu regularmente; nem nestas Casas - desde 2010, já tarde...;
b) D. é um «permanente leitor»; sabe e, ou, prefere, ser o único Leitor do que nestas Casas escreve - pelo menos desde que «a verdadeira, ausente, SOBR.a, «o arrrasou» nesse Capítulo  - já há muito tempo...
c) M. E. C. publica, não um livro, mas uma «colecção de frases» (Aforismos ou «um outro Livro do Desassossego»?)  num livro sobre «como Escrever para se libertar das regras sobre como Escrever»; 

Andava há anos a fazer apontamentos sobre como escrever?
Desde miúdo.   Tinha um caderno à parte para isso? Sim.

Recorte da Entrevista ao «Ípsilon:
[...]
É a língua que inventou neste livro, a “língua do quero-lá-saber”?
Não me lembro de escrever isso. Editar é uma coisa separada, é como a avaliação. Com o arrazoado cheio de adjectivos, tens uma coisa sobre a qual trabalhar. Sem essa primeira redacção, estás tramada, não há nada. O primeiro passo é escrever. Não interessa o quê, não interessa o tamanho. Não se pode escrever a tentar imaginar um público. O público é que tem de nos encontrar. Isso eu sei. Gostava de escrever para os jovens, dizer aos jovens o que é que devem fazer, o que é que devem ler, mas os jovens não me lêem. Escreves uma coisa, espetas como um jornal de parede e depois há pessoas que gostam e outras que não gostam. As pessoas é que nos procuram. Andam ali e perguntam: há algum gajo velho, gordo, que escreve sobre comida?
[sublinhados acrescentados]

sexta-feira, 28 de junho de 2024

Camoniana

 - entrevista a Isabel Rio Novo, biógrafa, à «Grande Reportagem», em Junho, 27; escrita de »Os Lusíadas», dilatada no Tempo e no Espaço... 

- [...] «Os Lusíadas são também imagens», Frederico Lourenço a F. José Viegas, a 24-06, no Jornal «SOL»;

- Artigo-Entrevista, a C. M. Bobone, biógrafo,  ao «SOL», a 1 de Julho: «Querer ler de forma virginal Os Lusíadas é entregar-se ao fracasso»;

quarta-feira, 19 de junho de 2024

Pomar e Fonseca no «724»

TEXTO B 
– Pois é verdade… Isto deu uma grande volta… Aquela raça dos lavradores antigos acabou-se… Os de hoje, se muito têm, mais desejam. Moram nas vilas, põem casa às amantes na cidade, não dão um passo sem ser de automóvel, inventam festas, não há cinemas nem teatros a que faltem. E para um estadão destes é preciso dinheiro e mais dinheiro. Nunca se fartam. […] – Uns tão ricos e outros sem nada… Até devia haver uma lei contra isto. – Haver o quê?!… Estás parva. Pois se os ricos é que fazem as leis!

                 Manuel da Fonseca, Seara de Vento [1.ª edição, 1958], Lisboa, Editorial Caminho, 1984, 12.ª edição, pp. 73-74.

724: «Escolhas múltiplas» para estabelecer uma relação entre as «duas pinturas» (uma plástica, outra verbal) é contribuir para [....] ; [«e o resto não se diz»...]; se Pomar e Fonseca...

- «esta pintura rebenta a tela» - artigo de 2015, do «Observador»  , de antes das ASSS.as

sexta-feira, 14 de junho de 2024

Campos no «639»

 - afastado, mas não «totalmente», R. destaca, em «tempos camonianos», o poema de Campos, hoje saído no «Grupo B» do 639 [« Máscaras, Espelhos...»]:

Depus a máscara e vi-me ao espelho... 
Era a criança de há quantos anos... 
Não tinha mudado nada... 

É essa a vantagem de saber tirar a máscara. 
É-se sempre a criança, 
O passado que fica, 
A criança. 

Depus a máscara, e tornei a pô-la. 
Assim é melhor. 
Assim sou a máscara. 

E volto à normalidade como a um términus de linha. 

                                    Álvaro de Campos, Poesia, edição de Teresa Rita Lopes, Lisboa, Assírio & Alvim, 2002, p. 514. 

quinta-feira, 13 de junho de 2024

«os Camões de Carneiro»

 - Foto de artigo do «Público-Ípsilon», sobre a exposição e a reabertura da Casa-Oficina do pintor simbolista:

[Auto]Retrato de António Carneiro junto de um estudo para a figura de Camões 
ADRIANO MIRANDA
RECORTE(s):
[...] É aqui que podemos também ver estudos para outra das suas obras mais conhecidas, Camões Lendo ‘Os Lusíadas’ aos Frades de São Domingos (1927), e outras representações do poeta. “Eu bem gostaria de poder mostrar todos os Camões de Carneiro, uma figura com uma importância maior na obra dele”, diz o curador, na expectativa, ainda, de que esse desejo possa vir a materializar-se numa segunda exposição, a decorrer em 2025, e que permitiria igualmente assinalar a importância da sua relação com a literatura [...] [sublinhados acrescentados]

segunda-feira, 10 de junho de 2024

N' A Ilha do Amor (Camões por Helder Macedo)

 - pelos 500 anos, ENTREV.a Helder Macedo, no Ípsilon:“O mal de Camões é que, se ele durasse eternamente, ninguém mais escrevia”

RECORTE(s):

[...] N’A Ilha do Amor — eu chamo-a Ilha do Amor de propósito e não Ilha dos Amores, porque não há muitos; é a Ilha criada pelo amor — há aquele episódio do poeta petrarquista, Leonardo, que vai atrás de uma ninfa a dizer versos queixosos, e os versos são tão bonitos que ela é mais relutante em aceitá-lo, porque está a gostar dos versos. Isto é uma referência implícita a essa situação de usar o petrarquismo; inclusive nessa passagem cita um verso inteiro do Petrarca, em italiano, até que finalmente a ninfa aceita o Leonardo, e “todo se desfaz em puro amor”. É uma transposição no sublime daquilo que era um quotidiano. Estas transposições são extraordinárias. [...]