sábado, 22 de fevereiro de 2014

«Há mais marés do que marinheiros»

[«Pente Fino» = viagens pelo Campo de uma curta expressão]

Quando, com a elevada frequência que o Contexto exige, S. se «ouve» a dizer o «dito» a «todo e qualquer um» - e também como forma de «se firmar», na resistência possível -  

-  «ouve-se também a ouvir» o PAI VELHO - que o «aplicava»  «a torto e a direito»

- artigo sobre o mesmo, no «CBDV», de 11 de Fevereiro, da consultora Bárbara Nadais Gama (n.º 32400):              AQUI

sábado, 1 de fevereiro de 2014

«O jeito do jeito» - por MEC

[«Pente Fino» = viagens pelo Campo semântico de UMA palavra]

Recorte inicial da crónica de hoje de MEC, na pág. 47, do Público, de 31 - 01 - 2014 ou:                         AQUI

"Gosto de palavras que só nós portugueses usamos e compreendemos, intraduzíveis. Uma das melhores é jeito, no sentido de dar um jeito, no campo específico duma distorsão corporal.
"Jeito" não quer dizer nada para quem não seja português. Mas nós, portugueses, sabemos exactamente o que é dar um jeito. Não é uma entorse. Não é um traumatismo. É um jeito. É ter sujeitado o nosso corpo a uma violência para a qual não foi concebido para suportar.
É um jeito que deixa uma dor. Ontem, durante o almoço, começou a doer-me o pé e tanto a Maria João como eu diagnosticámos logo que eu tinha dado um jeito. [...]

Miguel Esteves Cardoso

(sublinhados acrecentados)

Invocação e Apóstrofe (distinguir)

Parágrafo final do Verbete «Invocação»,  de Vanda Magarreiro, no «E-DTL»
DAQUI 


[sublinhados acrescentados]

      [...] A invocação é uma das figuras de retórica que se prende com o valor afectivo da comunicação e consiste na interpelação de uma divindade através do recurso ao vocativo, às exclamações e às interrogações. Distingue-se da apóstrofe por ser mais do que um simples chamamento directo de seres ausentes ou entidades abstractas. É um pedido de auxílio repleto de carga emocional, sublinhado pelo tom enfático do vocativo. Pode veicular um pedido de ajuda explícito, endereçado a um ser transcendente ou sobrenatural ("Pedi-te a fé, Senhor! pedi-te a graça, / Mas não te curves nunca, pr'a me ouvir./ Tudo acaba no mundo... tudo passa, / Mas só meu mal se foi e torna a vir."(António Nobre, , "Outono")); constituir-se como clamor e prolongamento de uma interjeição ("Voltarei hoje? Ai, minha Nossa Senhora..." (Bernardo Santareno, Nos Mares do Fim do Mundo)); ou introduzir uma mera convocatória ("Vinde à terra do vinho, deuses novos!" (Miguel Torga, Libertação, "Mensagem").

[v. tb. o verbete «Apóstrofe», de Carlos Ceia, na mesma «Plataforma»]