quarta-feira, 13 de junho de 2018

S. António por Pessoa

SANTO ANTÓNIO
Nasci exactamente no teu dia —
Treze de Junho, quente de alegria,
Citadino, bucólico e humano,
Onde até esses cravos de papel
Que têm uma bandeira em pé quebrado
Sabem rir...
Santo dia profano
Cuja luz sabe a mel
Sobre o chão de bom vinho derramado!
Santo António, és portanto
O meu santo,
Se bem que nunca me pegasses
Teu franciscano sentir,
Católico, apostólico e romano.
(Reflecti.
Os cravos de papel creio que são
Mais propriamente, aqui,
Do dia de S. João...
Mas não vou escangalhar o que escrevi.
Que tem um poeta com a precisão?)
Adiante ... Ia eu dizendo, Santo António,
[...]    

Artigo de José Barreto, sobre os poemas dedicados aos santos populares
 que Pessoa escreveu a 9 de junho de 1935, quatro dias antes de 
completar 47 anos, [...]    , referenciado hoje no OBS

domingo, 10 de junho de 2018

«Quem és tu?»

- repete, neste momento, no Canal «Memória» este Documentário de 98...
- disponível no Arquivo da RTP

domingo, 3 de junho de 2018

Maria Judite e Clarice

- são os nomes que a neta, Inês, que diz ter conhecido a avó até aos 18 anos, atribuiu às bisnetas...

- [...] Inês Fraga gostaria que a avó pudesse ressurgir, nem que fosse apenas com um pouco da luz que agora incide sobre Clarice [Lispector]. “Ela estava dispersa, inacessível a muitos leitores, e agora vai ter uma casa única e todos os livros disponíveis”, salienta Sara Lutas, que sublinha a intemporalidade da obra de Maria Judite de Carvalho. [...]        [DAQUI)

- Em «Horas Extraordinárias», também

quarta-feira, 16 de maio de 2018

“Perdeu, literalmente, a cabeça”





- muito usada expressão, com a qual diz Embirrar o autor do «Desdicionário» ou «Criativa lista de palavras» sem «passado etimológico», como refere o artigo do «P3» 


- a ver?

"Jardinheiro": aquele que está sempre a deixar cair moedas ao chão; ilustração de José Cardoso

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Figuras de estilo em Crónica «Religio-Botânica...»

- para:
- que não se diga: «à Literatura o que é da Literatura, à Botânica o que é da Botânica»...
       («Caiu a pinha, voaram os pinhões, secou o eucalipto» - que enumeraçao...)
- que já não há Humor na Terra da «apatia-indiferente»...

IPSIS VERBIS

CITAÇÃO: “Se o desonesto conhecesse as vantagens de ser honesto, seria honesto ao menos por desonestidade” (Sócrates, 469 a.C. - 399 a.C.)
OXÍMORO (I): Pequeno nada
OXÍMORO (II): Uma obscura claridade
PLEONASMO: Protagonista principal
ANÁFORA: Ninguém sabia, ninguém desconfiava, ninguém enxergava. Ninguém, ninguém mesmo...
CATACRESE: O pé da marquesa quebrou-se

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Mar de Vigo, Codax por Buarque

«Canção V», de Martim Codax, por Chico Buarque de Holanda, para o grupo «Sem Mim»:      AQUI

sábado, 28 de abril de 2018

Santa Rita - Centenário


Em 1917, aconteceu tudo. Almada Negreiros publicou “K4 ...” e “A Engomadeira”. Santa Rita Pintor montou com ele uma “Conferência Futurista”. [...] Lançou-se a revista “Portugal Futurista”. Sidónio Pais fez um golpe de Estado. Estrearam-se os Ballets Russes em Lisboa. Em 1918, não aconteceu nada. Primeiro morreu Santa Rita, e depois Amadeo. Almada começou a fazer a mala para rumar a Paris. Os últimos anos têm sido pródigos em centenários [...] Para 2018 está reservada a evocação de Santa Rita e Amadeo. Mas se sobre o segundo o universo cultural tem produzido iniciativas enriquecedoras à margem de efemérides, e produzirá mais [...] isso só agora começa a alterar-se sobre o esquivo Santa Rita Pintor, cujos oportunos cem anos da morte se assinalam a 29 de abril.                        
 [“LUZ E SOMBRA” Retrato de Vitoriano Braga, fotógrafo de Almada Negreiros e Fernando Pessoa, cedido por Luísa Braga/DGPC]

sábado, 21 de abril de 2018

«A pena e a espada», Camões por Helder Macedo

- Recorte de uma  das respostas  da entrevista publicada no OBS:

[...]
Para lhe dar um exemplo, no Dicionário de Camões, publicado em 2011, no verbete mais extenso, que naturalmente é sobre Os Lusíadas (depois de fazer um emparelhamento estilo galheteiro ou Benfica-Sporting , entre Camões e Fernando Pessoa), a autora afirma lá para o fim, quase em conclusão: “Num poema que não designa nenhum herói, Camões apresenta-se com a imagem que o concretiza”. Isto começa por ser uma afirmação bizarra, considerando que o poema designa dúzias de heróis. Mas quanto à imagem heroica de si próprio projetada por Camões no poema, sim, claro, estou inteiramente de acordo, e ainda bem que a minha prestigiosa colega também tenha conseguido chegar ao que eu tinha escrito em 1980, para um congresso camoniano em Paris, num texto depois publicado nos Arquivos do Centro Cultural Português (vol. XVI, 1981) com o título “O Braço e a Mente: o Poeta como Herói n’Os Lusíadas”. Não tem importância, é só que lhe teria poupado trinta anos de meditação. [...]

quarta-feira, 11 de abril de 2018

«Pinto quadros por lettras, por signaes, ...»

- já que o 3.º Bloco foi para Tomar..., fica-se com Cesário, por João Vieira (2005) - que M. trouxe para logo o mostrar a M. de J. - um dos SEN. do C. P.
[fotografado da p. 93]

- [assim, só a Tarde será Tormentosa...]

segunda-feira, 5 de março de 2018

domingo, 4 de março de 2018

Mário de Sá-Carneiro

- «A estranha morte do Professor Antena» é um conto que D. se lembra de ter estudado nos anos felizes de 02 a 04...
- «O estranho caso ...» é o título do Documentário (RTP 2, Abril de 2016, pelos 100 anos...), de Paulo Seabra e de José Mendes, que a RTP disponibiliza no Arquivo

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

«O'Neill por O'Neill»

- D., na fase da «Mercearia» (do final de 81 a Julho de 83) testemunhou a «verve» de  O'Neill aplicada ao quot.o         (« e o resto não se diz...»)
- passaram mais de 30 anos...; não é que tenha deixado de o reler, mas, agora, graças ao (sempre vilipendiado) PROG...., tem que alargar essas leituras (...)
- no Posfácio à nova edição da [...], Maria Antónia Oliveira comenta esse texto lido pelo próprio,«escondido» num disco, de 72, que acompanhava..:

[...]Esse é provavelmente o seu texto mais despojadamente autobiográfico. Curioso é que um testemunho tão importante, em que o poeta se descreve, nunca ele o tenha publicado em letra de forma. E não só o escondeu num disco como lhe deu um título comedido - «o poeta fala do seu livro». Na verdade, nada se diz sobre Entre a cortina e a vidraça, e o título não é senão um disfarce para aquilo que constitui, sem dúvida, um manifesto. Provavelmente por ter este carácter misto de manifesto e de confissão o disse em vez de o escrever. [...]

Maria Antónia Oliveira, («Posfácio»a), Poesias completas & dispersos, 2017, p. 719

domingo, 4 de fevereiro de 2018

«folhear cartapácios» - MEC

- crónica de ontem de M. E. C. - AQUI

Recorte inicial
       Estamos todos a aprender a falar e a escrever português, excepto aquela abençoada multidão que, tendo caído no caldeirão, já sabe tudo de antemão. Sendo omnisciente, não precisa de dicionários ou de livros sobre a língua portuguesa. Sendo jovem e despreocupada, basta-lhe a erudição monumental da Internet. Para quê esfoliar a pele dos dedos a folhear (ou, como eles dizem, a desfolhar) pesados cartapácios (eles dizem catrapázios), quando bastam duas carícias no teclado para esclarecer logo todas as dúvidas num dos magníficos dicionários digitais que até fazem o favor de validar os erros mais populares dos internautas?
[...]

sábado, 20 de janeiro de 2018

Adjetivos: brutal e genial (R. A. P.)

Ilustração de João Fazenda, para a crón. de Ricardo A. Pereira, da «Visão» de 18 -01


RECORTE:
 [...]  Já aqui falámos do que tem vindo a acontecer ao adjectivo brutal, vítima de uma brutal alteração de significado. Quase tudo o que é brutal, hoje, é o rigoroso oposto do que era brutal no passado. Mas talvez nenhuma outra palavra tenha tido pior sorte do que o adjectivo genial. Era um termo recatado, precioso, de utilização rara. Aplicava-se quase exclusivamente a coisas que tivessem sido feitas por Leonardo Da Vinci, e era assim que estava certo. De repente, sem que o mundo tivesse acompanhado esse melhoramento, tudo passou a ser genial. Certo vinho é genial. Uma peça de roupa pode ser genial. Alguns silêncios são geniais.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Pessoa, escritor Marginal?

- M. esteve a rever o «Câmara Clara», de 20. 01. 2008, com Vítor Silva Tavares e Alberto Pimenta, sobre Luís Pacheco, conceitos de Lit. Marginal, Surrealismo, abjecionismo...
- [já referido noutra Casa da Família]
- em «condições«, finalmente, na RTP ARQUIVO

terça-feira, 21 de novembro de 2017

O cansaço em Campos

- quem consulta [o «CBDV»] [o estudante J. G.] refere que «andou horas» [aleluia] a estudar o conhecido poema de Campos... e refere que pretende (apenas) a análise de três versos...
- quem responde - M. Eugénia Alves ....- retribui com reflexão sobre a estrofe...
- verbete de 7 de novembro - o n.º    34566

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

«Caeiro explica o Cristianismo...»

Recorte do artigo-entrevista [do OBS, hoje

«John Maus: a música salva e Alberto Caeiro também»

ao telefone:          [...] “Costumo dizer que o Alberto Caeiro é o mais próximo que existe de explicar o Cristianismo. Esquece o Nietzsche, o Caeiro é o único que consegue aguentar-se todos os rounds num ringue com o Francisco de Assis. É o meu heterónimo preferido do Fernando Pessoa. Está noutro nível.” Faz sentido, se há um heterónimo de Pessoa que explica a clareza das letras e da mensagem de John Maus é Alberto Caeiro." [...]
(sublinhado acrescentado)

domingo, 15 de outubro de 2017

Pessoa, por Zenith

- programa de 24 - 04 - 2017, de  Raquel Marinho, na SIC NOT, - com Richard Zenith - sobre Ricardo Reis e Bernardo Soares           - AQUI

- idem, de 19 - 04 - 2017, só com a jornal., sobre Alberto Caeiro   - AQUI

- idem, de 12 - 04 - 2017, idem, sobre Campos    - AQUI

sábado, 7 de outubro de 2017

«admirável língua nova»

- quarto artigo - extenso - de uma série, dedicada a provar (mais uma vez)  que o «AO» é [...] - no Público

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

@ + acentos + géneros... «Internetês»

- crónica de dia 7, no Público, em que Bagão Félix percorre, com humor, várias questões de Gramática do «Internetês»...

Recorte inicial:

Na linguagem da Net, foi dada sentença de morte ao espartano acento circunflexo, ao lânguido til, aos austeros acentos agudo e grave, e às cerimoniosas cedilhas. Quanto ao diacrítico trema, já antes do internetês, foi ao ar na reforma ortográfica de 1945, ainda que se use noutras línguas, como o alemão e até o espanhol, sem ser uma vergüenza. Dizia o grande escritor de língua portuguesa Machado de Assis que 
escrever é uma questão de colocar acentos. [...]
[sublinhado acrescentado]

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

APAGA - APAGA

278

Impelir uma frase até ao limite da sintaxe. E ficar depois de guarda ao seu pulsar de pássaro cansado rente à tarde. E apagá-la da página de novo inacabada. Soltá-la para que regresse ao caos onde dormem em segurança todas as frases.

Ivone Mendes da Silva, Dano e virtude, Língua Morta, 2017 (Julho), p. 133

sábado, 1 de julho de 2017

Alexander Search, a Banda (com cinco novos HETER...)

 A. S. = Benjamin Cymbra + Sgt. William Byng  + Augustus Search  +  Mr. Tagus +  Marvell K.
- .... identidades supostas «biografadas» na notícia da Ag. Lusa (na Carta a A. C. M., não, claro...)  - lida hoje no OBS

quarta-feira, 14 de junho de 2017

«...ou lá o que é», por MEC

Crónica de domingo, 11 - COMPLETA,  AQUI
RECORTE
A língua portuguesa, empertigada e trabalhadora, só raramente satisfaz o estudante da preguiça. Um bife é rijo que nem um cabaz de cornos, sendo o cabaz oferecido de graça, quando bastariam os cornos para dar a ideia.
[…]
Daí que a minha expressão favorita seja aquela que se recusa a esforçar-se, que descaradamente desiste de ir a qualquer dicionário mental só para entreter o ouvinte. Consiste em dizer que o Azevedo gosta mais de praia, tinto, cães, Paris, dormir, espeleologia, lerpa e macarronete do que..."sei lá o quê".
X gostar mais de Y mais do que sei lá o quê é de uma indolência sublime. Está ao baixíssimo nível do "não há palavras para exprimir" ou, ainda mais humildemente, "não tenho palavras que possam descrever". Às vezes remata-se com uma utilíssima ênfase: "enfim, é indescritível!"
 "Pois, imagino...", responde o ouvinte, devidamente adormecido. E subentende-se que deve gostar tanto que ainda estão por inventar as analogias necessárias. Pois.

domingo, 28 de maio de 2017

Aspeto

[ultimamente, as visitas ao CBDV têm sido pouco frequentes, porque...]

- mas hoje  destaque-se a recente resposta, de 26 de maio, a dúvida sobre os diversos valores do  Aspeto Gramatical [...]

 - verbete de Ana Martins, com o número 34352

terça-feira, 16 de maio de 2017

«Saramago - Apontamentos»

- de «apontamentos», pouco, de «tão pesada e recheada» - e atualizada, já agora:

AQUI

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Sá-Carneiro «em linha»

- inf. «recolhida» de artigo (de Nov. de 16) de Rita Cipriano, um dos «associados» a  «Dossiê» do OBS. -
 - que refere as condições da criação deste Endereço dedicado a Sá- Carneiro: iniciativa do prof. Ricardo Vasconcelos, parceria da Univ. de S. Diego e do Inst. Camões...   - AQUI
- relembre-se o endereço da BN, para materiais do Espólio e outros

sábado, 1 de abril de 2017

Gramática («acarinhar a») + verbos defetivos

- crónica de quinta, de Ferreira Fernandes, na última página do DN - lida à hora do almoço, no «STP»

REcortes:
[...]
Para as maleitas dos números há um Ministério da Economia e outro das Finanças - mas não há nenhum Ministério da Gramática. Como estamos formatados para as coisas das quantias, deixem-me tentar explicar o drama dos verbos defectivos com um exemplo que o Centeno domina. Um verbo defectivo é como aquele que me impede, se caio em bancarrota, de dizer: "Eu falo." Já dizer "nós falimos" ou "vós falis", posso. Quer dizer, nunca assumo a minha culpa na falência. Para mim, ela é sempre de outros ou, no mínimo, distribuo a minha culpa por outros.
O verbo falir - que é defectivo, quer dizer, não é conjugado em determinadas pessoas e tempos verbais - por acaso até é um dos melhores exemplos para mostrar como a gramática deveria ser tão acarinhada como o combate à corrupção. [...]
Aqui chegado, decido ser mais radical. Já não quero um departamento tipo ASAE que cuide das mazelas dos verbos mancos, falhados, incompletos. Por mim, abulo os verbos defectivos todos. Eles precisam mesmo de um Ministério da Gramática que prepare a comissão liquidatária. Acabar com eles: cada buraco de conjugação em determinadas pessoas, tempos e modos verbais será preenchido pela palavra que vai de si. Millôr Fernandes, mestre das palavras, não hesitou quando fez uma peça teatral onde falava de computar. Titulou a obra: "Computa, computar, computa." E, apesar do que dizem certas gramáticas e gramáticos, aquele verbo passou a ser completo e não defectivo. [...]

Completa - AQUI

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Gramatical «QUIZ»

- após se designar a «Gramática como a Matemática da Língua Portuguesa» (???) ,  ...., propõe-se um «Quiz» com 15 questões de «tripla escolha» - mas em que algumas precisam de «aperfeiçoamento», isto é, adequação à NOMENC. na Lei, desde 2006 (?)... (e outros pormenores na sua redação...)
- de resto, «replicado», digamos, semanalmente, seria «um bom serviço» a quem,  com «denodo»,  tenta que «mais do que  2 ou 3 em cada Cem se ...» (parece aquele velho anúncio ao sabonete «Lux»...)
- tão interessante como «acertar» é verificar a percentagem de falhas a cada questão...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Arca sem fundo (Os novíssimos exploradores da)

- artigo de ontem do Público, de Luís Miguel Queirós, com alguns desses novíssimos estudiosos da «obra Aberta» de Pessoa

- só Uribe (Jorge) «repete» neste «Especial» do Obs., em que Rita Cipriano fala sobre (e com) 5 investigadores

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Camões - o Malandro - Helder Macedo

- do recente livro, em que H. M. republica 25 dos seus ensaios - o OBS reproduz um ensaio dedicado Camões, intitulado «O Imaginário da Malandragem»

[verificar se é o que J. já referiu AQUI]

sábado, 28 de janeiro de 2017

Aperfeiçoar?

- A Tira de Luís Afonso, de hoje - «dedicada» ao «AO»


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

«a resposta é a pergunta» - por M. E. C.

- Crónica de ontem, no Público - «Sempre sem responder», com um Labirinto Aforístico bem «planificado» («que se dane o OX.») 

REcorte: 

[...] É um erro fazer perguntas à espera de uma resposta. A conjunção pergunta/resposta é forçada e prejudicial. Uma resposta é coisa pouca. Ser responsável é saber aceitar as perguntas que se fazem.
Uma pergunta é boa ou má, sem relação com ter ou não resposta. A melhor resposta a uma pergunta é concordar. Ou responder com outra pergunta.
Uma pergunta é uma afirmação que aceita ficar pendurada. Pendurada, perdura. As perguntas, quando recebem respostas, morrem. Ficam arrumadas.
Leva tempo a fazer uma pergunta que satisfaz, que não leve a outras perguntas. É a exigência de respostas que nos condena. Compromete-nos. Apressa-nos. Cobre-nos, no tempo, de ridículo. Querer uma resposta ainda é pior do que não ter nenhuma pergunta para fazer. [...]

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

«Bicho do Mato», por MEC, e a «Pausa»

- há dias, no Paraíso 1617, perguntaram a J. se «participava no Lanche de N.»  - lá descreveu, com absurdas Just., a sua Face «BdM»...
- [àquilo que faz, J. chama cada vez menos «Profis.»; ainda é o que o impede de se tornar «BdM» total; mas,  quando vem a «Pausa» (3 ou 4 por Ciclo), «volta a BdM» e: «Silêncio, Maravilhoso Silêncio...»]
- numa dessas horas, chegou a Crónica de M.E.C., de domingo, 18....:

RECORTE:
[...]
     Os bichos do mato nunca fazem mal uns aos outros. Nunca se convidam para almoçar, nunca se desafiam para fazer nada, nunca usam verbos no futuro e nunca usam expressões ameaçadoras como “um dia destes vou lá a tua casa fazer-te uma visita”.
    É fácil identificá-los porque, quando os bichos do mato falam uns com os outros, pôem-se sempre de pé. Nunca se sentam juntos. É proibido.
    Faz parte do pacto original que assinaram quando se tornaram bichos do mato. Eles sabem muito bem que tudo o que há para dizer, de importante e carinhoso, pode ser dito em dois ou três minutos, enquanto se está em pé.
[...]

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

«O sentimento d'um ocidental»

- poema «autopsicografado» + referências várias - até cerca do 12.º minuto do programa «Lit. Aqui», de Pedro Lamares, de 26 de nov. de 2016 (III Série):

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Saramago - «momento de glória»

- entrevista de 2008, recolocada por Anabela Mota Ribeiro no seu excelente Arquivo: AQUI

sábado, 1 de outubro de 2016

«American Girl» OU «a metáfora (?) do Comer»

American Girl in Italy, 1951 Copyright 1952, 1980 Ruth Orkin
- já era tempo de tais frases («comia-te toda») «irem a Tribunal», de fa(c)to - no DN, de hoje (foto na 1.ª página...)

- quanto à fotografia de 1951...  [... J. declara que D. nasceu em 1955... e que muito foi o «linguajar» a que «assistiu»...]

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Acentuação («andamos e andámos»)

Crónica de Nuno Pacheco, sobre a acentuação, sobretudo em volta da distinção entre «andamos» e «andámos» («às vezes um pequeno acento faz toda a diferença»)

no Público de hoje

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

AO: defunto-vivo?

- «O Injustificável Acordo Orto(Gráfico)»  artigo de Gastão Cruz, de dia 7, no Público (na sequência de outros, recentes, de (....)

DAQUI

Recorte:
 [...] As diferenças entre o português europeu e o sul-americano não são fundamentalmente ortográficas, quando sabemos bem que a separação maior dessas duas vertentes não reside no domínio da ortografia, e sim nos planos vocabular e sintáctico.
  Nenhum brasileiro, alguma vez, deixou de entender um texto oriundo de Portugal, por causa da grafia usada até há pouco (e que continua a ser utilizada por muitos, entre os quais me incluo), assim como nenhum português jamais encontrou qualquer especial dificuldade, por causa das diferenças gráficas, em apreender o que tenha sido escrito de acordo com as normas vigentes em terras brasileiras. [...]

terça-feira, 9 de agosto de 2016

«Isso sabe-se» = «Já se sabe» ( M. E. C.)

«Isso sabe-se» 
Era a expressão (Bordão de Fala?)  mais usada pela Marechal H. - 
- Equivalente, em crónica de M. E.C.

REcorte:
O “já se sabe” é o “estava-se mesmo a ver” do tempo. É como o “eu não te disse?” de quem nunca nos disse tal coisa ou o “Ah pois...” que nos acolhe quando exprimimos uma surpresa. Se as estradas estivessem cheias de sardinhas caídas do céu, estes marmanjos não pestanejariam: “Ah pois...já se sabe...(...(
Ainda não vieram os relâmpagos e as trovoadas de Agosto mas os “já se sabes” já estão todos a acumular-se por dentro dos lábios inferiores, prontos para serem disparados ao mínimo comentário sobre um imprevisto.(...(

sábado, 16 de julho de 2016

«Contínua» («ser ou não ser...»)

- «Contínua» é um termo que continua a ...  - o porquê do «contínuo» Uso de um VOC. do «Tempo da Outra Senhora», não o sabe V....

- dá título a uma «PAA» [«Ser Contínua»]: ver AQUI   [já não; passou a «Privado»...viva a «santa»...]

domingo, 29 de maio de 2016

«Testes á Visão Grátis» - FIM

«Testes á Visão Grátis» 
- em letras «Grandes», numa Tarja colada na Diagonal, na Montra de Optopmetrista da G. R. [...] - [terá aberto algum tempo, não muito,  depois de V. vir para o Galhardo, em Set. de 96...]

- um dia, quando ainda ia a pé para o Palácio, dirigiu-se ao Dono (e Técnico da Área), «protestando» pelos dois erros...; não se lembra da resposta («agreste»? «boçal-indiferente»?) da «Figura», mas o Letreiro lá continuou ...

- hoje, a caminho do «café+jornal» matinais, V. deparou-se com a montra coberta de jornais; terá falido, finalmente? [é que, Clientes, nunca lá avistou muitos...]

- Well, não há como o Tempo, para... [« e o resto não se diz...»]

terça-feira, 24 de maio de 2016

«parágrafos corridos, vírgulas alfandegárias»

- e de um texto para uso funcional» em Envelope sai um Recorte:

[...] A língua foi-lhe uma pátria, como disse Pessoa. Um território de parágrafos corridosvírgulas alfandegáriasnarradores metediços, efabulações fantásticas que guardavam parábolas, alegorias, metáforas, maravilhamentos. E se, um dia, todos ficassem cegos? E se a morte não matasse? E se Caim viajasse no tempo? E se Blimunda e Baltasar se perdessem nos olhos um do outro? E se um elefante indiano atravessasse a Europa e mergulhasse no nevoeiro, como um escritor que enfrentasse a morte? [...]

 Sílvia Cunha, Visão, n.º 903,  24 de junho de 2010
[sublinhados acrescentados]

sábado, 14 de maio de 2016

Número de «Costas», por M. E. Cardoso

Recortes da Narrativa de Miguel Esteves Cardoso, de hoje -«As nossas costas» , no Público:

  Em francês, inglês e italiano a parte do nosso corpo a que chamamos as nossas costas  não são muitas nem várias nem poucas nem duas. É só uma.Le dosthe back e la schiena ou il dorso estão no singular. [...]
   Em português alguém pode dizer "tenho uma dor nas costas" e a pessoa com quem está a falar pode perguntar "em quais, ao certo?" ou "só nalgumas ou em todas?
   O outro lado das costas não são as frentes. Temos dois olhos, ombros, braços e duas pernas, orelhas e mãos porque, embora semelhantes, estão separadas: umas e uns à esquerda, outros e outras à direita. [...]
    As costas serão duas (a superior e a inferior)? Não.  [...]
       Se nós, os que falam português, sentirmos, singularmente, uma única dor num único sítio do nosso dorso, temos a estranhia mania de pluralizar [...]
     O que é que se passa connosco e com a nossa língua? É a eterna pergunta interessante e irrespondível. Que tristeza seria acharmos que, nalgum dia do futuro, outros saberão responder por nós - ou, pior, que  deixarão de perguntar.