terça-feira, 29 de setembro de 2015

Pessoa: «Não sei o que o amanhã trará»



Para a frase transcrita, 

«Não sei o que o amanhã trará» (... me reserva»)

- usada como título de um espectáculo de Marionetas - ref. no ALPA - ver a interpretação de António M. Feijó*, no final do ensaio «Alberto Caeiro e as últimas palavras de Fernando Pessoa», na Colóquio - Letras, n.º  155 - 156, de Janeiro de 2000
- digitalizado AQUI

- transcrição do REcorte referido:

"[...] quando em Dezembro [Novembro] de 1935, foi acometido pela crise que o levou ao hospital e à morte, escreveu, numa folha de papel retirada da pasta que sempre o acompanhava, uma frase em inglês que viria a tornar-se um exemplo mais de um sub-género particular, o dos pronunciamentos gnómicos finais legados por criaturas de génio «I Know not what to-morrow will bring.» Não parece, todavia, ter sido notado que este enunciado é uma versão de um verso de Horácio (Ode IX 13): «Quod sit futurum cras fugere quaerere»*, adoptado nas circunstâncias adversas de uma crise perceptível. A implicação é, no entanto, clara: as últimas palavras de Pessoa são o enunciado final, incaracterísticamente redigido em inglês, do estóico Ricardo Reis, o autor de tantas versões de odes de Horácio, que finalmente conduziu Fernando Pessoa até à morte"

* O verso de Horácio é traduzido no Oxford Book of Literary Quotations [...] do seguinte modo: «Do not ask what tomorrow may bring»

Colóquio-Letras, n.º 155-156, Janeiro de 2000, p. 189